Submarino.com.br
Juliana Dacoregio Rotating Header Image

Amizades de papo-furado, conversas reveladoras, a missão de dizer o que ninguém diz e a fuga do círculo vicioso.

Quem me conhece sabe que não sou nada chegada numa small talk. Sabe aquele tipo de papo só pra preencher o tempo? Como vai a família, o que anda fazendo, que bom que não choveu, deixa que eu te passo a receita da torta salgada, etc. Não que eu seja uma mala sem alça, metida a filósofa (bom, só um pouco sim, vai) que só queira conversar coisas sobre o céu, a terra, a água e o mar. Mas me sinto muito mais à vontade quando estou com pessoas que vibram no mesmo comprimento de onda e, quando percebemos, já estamos num papo profundo, pautado por sonhos, desejos, sentimentos…

Muitas vezes isso acontece com pessoas que passo um longo tempo sem ver, mas que os reencontros não nos tiram a intimidade de fazer confissões e  desabafar, como é o caso com minha prima querida, Fantine, ou com amigos como Chicuta e Vinny que, em meio a piadas e muitas bobagens (muitas mesmo), vamos falando sobre a vida, o universo e tudo mais. Um adendo: há outras pessoas com quem tenho conexões desse tipo e, mesmo que eu não esteja as citando aqui, elas sabem quem são.

E foi em meio a um papo-cabeça desses que recentemente tive mais ou menos o seguinte diálogo:

– Será que vou ser sempre a pessoa que precisa sofrer e compartilhar esse sofrimento através dos blogs e livros para que outros possam se identificar e saber que não estão sozinhos nessa loucura de dores que é a vida?

– Sim, os outros sempre se identificarão, porque apesar de alguns entenderem melhor a tristeza e as agruras da vida (como nós), nossas dores não são especiais. Nossa dor é a dor de todo mundo.

– É verdade. Às vezes canso de me abrir, mas sinto que é quase uma missão. É um trabalho sujo, mas alguém tem de fazê-lo.

– Sim, mas o perigo é cair na auto-piedade. Muita gente vive nesse círculo de auto-piedade e nunca sai dele. O negócio é saber que mesmo compartilhando suas dificuldades e isso sendo importante pra quem também vive isso, chega uma hora em que você precisa subir no cavalo encilhado e superar os medos, para não cair no círculo vicioso da estagnação.

– Acho que é o que estamos fazendo…

Isso não significa que vai deixar de doer e que vou parar de compartilhar as dores (até que talvez chegue um momento em que eu decida não mais fazê-lo), mas significa que é preciso seguir em frente apesar da melancolia. Porque como diz essa outra amiga-inspiradora, que faz parte da turma de gente com quem posso ter papos filosóficos e bobos:

“A tristeza é sedutora. Ver tudo com pessimismo, maldizendo o mundo, é a coisa mais confortável que já se inventou para manter a sua vida sempre uma merda sem ser culpa sua. Mas ser feliz é tão mais simples. E bom. (…)(Lopatiuk, Tati)

Be Sociable, Share!

6 Comentários on “Amizades de papo-furado, conversas reveladoras, a missão de dizer o que ninguém diz e a fuga do círculo vicioso.”

  1. #1 Juliana Dacoregio
    on Jun 12th, 2011 at 16:08

    Amizades de papo-furado, conversas reveladoras, a missão de dizer o que ninguém diz e a fuga do círculo vicioso http://t.co/cXmoy5r

  2. #2 Ricardo Chicuta
    on Jun 14th, 2011 at 02:58

    Juliana,vc.já deve ter uns 10% do meu coração.Pó para trombadinha.

  3. #3 alvaro albuquerque
    on Jun 14th, 2011 at 05:27

    RT @TopsyRT: Amizades de papo-furado, conversas reveladoras, a miss�o de dizer o que ningu�m diz e a fuga do c�rculo http://t.co/yDPVyZ6

  4. #4 Vinícius Valcanaia
    on Jun 14th, 2011 at 10:26

    Jeito bom de começar o dia – http://bit.ly/loVYfB – By @JuDacoregio.

  5. #5 Helen Araujo
    on Jun 21st, 2011 at 19:11

    Papo cult demais pro meu gosto besteirolizado (isso existe? =O), mas vc é lekal ainda assim Ju XD

  6. #6 Carlos Filipe
    on Aug 26th, 2011 at 09:54

    Continue sempre compartilhando teus sentimentos por aqui, que continuarei lendo e me identificando.

    Me identifico muito contigo e com teus sentimentos, alegrias, tristezas, medos, angústias.

    Gostaria de comentar mais por aqui, de poder ter esses papos filosóficos e conversas reveladoras contigo, sei que me entenderias.

    Como disseste, tua missão é dizer o que muitos sentem mas não dizem, para estes dizerem: concordo, é assim que me sinto.

    Beijos

Deixe um comentário