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A entrega, a cegueira, a perda, o reencontro

Sempre abri os braços, total e completamente, deixando à mostra o peito, sem colete à prova de balas: um alvo fácil. Mas não importava. Dividir segredos era minha forma de conexão com outro ser humano.

Até que a tragédia anunciada aconteceu. O tiro certeiro. Foi difícil arrancar a bala, ali alojada por tanto tempo. Deixou um buraco enorme, que foi fechando aos poucos, e uma cicatriz purulenta. Então cruzei os braços. Vesti armadura. Me tranquei no quarto, meu forte, minha barricada, meu território. Ali fiquei. All by myself.

Resolvi sair quando não ouvia mais o barulho dos bombardeios. E encontrei pessoas. De onde elas vinham? (All the lonely people, where do they all come from?) Não perguntei. Há tanto tempo não via um olhar mirando meus olhos que me desarmei. Então me ofereceram a mão. Deixei que me envolvessem num abraço fraterno. Até que se tornou necessidade.

Ofereceram-me aventuras baratas. Pulei do alto do penhasco achando que a queda seria longa e que à minha espera estaria um rio de possibilidades de grandes encontros. Encontros comigo mesma, com outros, com almas dispostas a crescer como eu. Mas era raso e estraçalhei-me rapidamente, e os únicos encontros foram com outras almas feridas. Até que se tornou caro demais remendar os pedaços quebrados de mim. Um preço alto a se pagar por migalhas de liberdade fajuta. Comprando mediocridade como se fosse autêntica e produtiva rebeldia.

Ofereceram-me amor. Um sonho adolescente para quem já não deveria jogar mais para o alto a própria vida e deixar-se levar por um vento que era apenas sopro.

Se em tudo isso aprendi? Sempre. Sempre e sempre aprendendo e desaprendendo.

Agora voltamos ao começo que, felizmente, é a continuação.

O pêndulo balança de um extremo ao outro até que estacione no meio. No meio de mim, disparando meu coração. O próximo passo é esperar esse coração desacelerar para sair da roda viva e deixar de viver pendurada nesse vai e volta.

Ainda de braços abertos, mas agora também de OLHOS abertos e lábios selados para que não roubem mais meus sonhos.

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10 Comentários on “A entrega, a cegueira, a perda, o reencontro”

  1. #1 Juliana Dacoregio
    on Feb 17th, 2012 at 13:19

    Post novo recém-escrito no Paperback Writer: http://t.co/3oF0CT9h

  2. #2 ❤ Jazz
    on Feb 17th, 2012 at 14:16

    "Olhos abertos e lábios cerrados para que não roubem os nossos sonhos." É mesmo importante! No blog da @judacoregio – http://t.co/pOIq48Ig

  3. #3 Juliana Dacoregio
    on Feb 17th, 2012 at 15:04

    "Olhos abertos e lábios cerrados para que não roubem os nossos sonhos." É mesmo importante! No blog da @judacoregio – http://t.co/pOIq48Ig

  4. #4 Amanda R S
    on Feb 17th, 2012 at 21:10

    A entrega, a cegueira, a perda, o reencontro – Juliana Dacoregio http://t.co/vbQN3grH

  5. #5 Heresia Loira
    on Feb 18th, 2012 at 12:55

    A entrega, a cegueira, a perda, o reencontro http://t.co/kKxBC3b1

  6. #6 Leandro G do Rosário
    on Feb 22nd, 2012 at 20:46

    A entrega, a cegueira, a perda, o reencontro – Juliana Dacoregio – http://t.co/iTcguyhr

  7. #7 O Pensador Selvagem
    on Feb 23rd, 2012 at 22:20

    A entrega, a cegueira, a perda, o reencontro | Paperback Writer Girl http://t.co/xIHUV3Kt

  8. #8 literariamente™
    on Feb 23rd, 2012 at 22:45

    A entrega, a cegueira, a perda, o reencontro | Paperback Writer Girl http://t.co/xIHUV3Kt

  9. #9 Rafael Reinehr
    on Feb 23rd, 2012 at 23:26

    A entrega, a cegueira, a perda, o reencontro | Paperback Writer Girl http://t.co/xIHUV3Kt

  10. #10 Luiz Carlos Garrocho
    on Feb 24th, 2012 at 00:51

    A entrega, a cegueira, a perda, o reencontro | Paperback Writer Girl http://t.co/xIHUV3Kt

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