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Nocauteada

Eu mal lhe conhecia. Havia lido sobre você. Ninguém me contou, eu vi o que você fez com ele. Palavras tão fortes foram destinadas a você. Palavras que me marcaram profundamente. E agora vem você também me bater e acariciar com seus versos diretos. Estou chocada, boquiaberta, espantada. Estou cheia de adjetivos e ao mesmo tempo muda. Queria poetizar para você, assim como ele fez, mas não posso. Posso apenas suspirar e me render a mais uma flechada. Estou caída. Estou de quatro. Estou em um caso de amor. Mais um que, creio eu, durará eternamente. 

Que sou fã de Fernando Pessoa, não é novidade para quem me conhece e/ou lê meus blogs e me segue nas redes sociais. “Pago pau” pra Pessoa, mesmo! Em seus poemas ele encarna tanto do que sou e ele diz muito do que quero dizer, sobretudo no heterônimo Álvaro de Campos. Já conhecia muitos de seus poemas quando, pela primeira vez, visitei o Museu da Língua Portuguesa. (Alguns dos poemas, aliás, já declamados em meio às lágrimas para a ‘vítima’ que estivesse disposta a me ouvir.)

Mas nessa visita ao Museu eu ainda não conhecia este poema:

“Saudação a Walt Whitman”! Nossa, como bateu forte em mim essa obra-prima. Uma homenagem de Pessoa (Álvaro de Campos) ao tal Whitman que até então eu nunca tinha ouvido falar. Mesmo depois disso, acabei não buscando saber mais sobre esse homem que inspirou de tal forma grandiosa o meu querido Pessoa.

Até que hoje me deparei com este texto e pude conhecer melhor Whitman e entender porque ele foi digno de tamanha homenagem (não só por parte de Fernando Pessoa, como de outros escritores).

Acabei descobrindo outro poeta que faz seus versos explodirem dentro de mim. Acabei me apaixonando por mais um. Mais um que tira as palavras de minha boca, ou melhor, os gritos de meu coração. E deixo aqui pra vocês, um pouco desses gritos que ele gritou por mim e que ainda ecoam, com certeza, na vida de muitos amantes da poesia, da arte, enfim, das almas sensíveis:

“Eu celebro a mim mesmo

E aquilo que assumo você deve assumir

Pois cada átomo que pertence a mim pertence a você (…)

Me contradigo?

Pois bem, então…. Me contradigo;

Sou vasto…. Contenho multidões.

Me concentro nos que estão perto…. espero à porta.

Quem terminou o batente e vai jantar mais cedo?

Quem quer passear comigo?

Você vai falar antes que eu vá embora? Ou se virar quando já for tarde demais?

O falcão pintado dá rasante sobre mim e me acusa…. reclama da minha conversa fiada e da minha preguiça.

Também não sou facilmente adestrável, também não sou facilmente traduzível,

Solto meu grito bárbaro sobre os telhados do mundo (…)

Não me cruzando de primeira não desista,

Não me vendo em um lugar procure em outro,

Em algum lugar eu paro e espero você.”

(Canção de mim mesmo – Walt Whitman)

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5 Comentários on “Nocauteada”

  1. #1 Juliana Dacoregio
    on May 5th, 2012 at 07:48
  2. #2 Marco Romer
    on May 5th, 2012 at 12:53

    Minha sincronicidade com certas energias e emoções está alta. Acabo de ler isso e é impressionante como tem tudo a ver. http://t.co/6gSFtR5q

  3. #3 Júlia
    on May 5th, 2012 at 14:08

    Muito obrigada por me apresentar à Walt Whitman, a primeira poesia que li dele, não foi só um belo cartão de visita, mas como você bem colocou,
    um nocaute!
    Quanto à Fernando Pessoa não preciso nem comentar…digno de “pagação” de pau!
    Parabéns!!!

  4. #4 Júlia Stoliar
    on May 5th, 2012 at 16:13

    http://t.co/mb1ly0KO bom dia sábado, acordei nessa poesia aqui, "nocauteada" …

  5. #5 Juliana Dacoregio
    on May 21st, 2012 at 21:30

    Minha sincronicidade com certas energias e emoções está alta. Acabo de ler isso e é impressionante como tem tudo a ver. http://t.co/6gSFtR5q

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