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Felicidade obrigatória, propagação de ideias e desafio

Acabei de ler um post em um blog, com o qual concordei e decidi comentar. Seria apenas um comentário breve, mas acabei elaborando um pouco mais porque os pensamentos foram se encaixando. O texto fala sobre a dualidade e a fugacidade da vida, sobre a rapidez com que tudo acontece e com a falta de paciência decorrente disso. A autora, mostra um poema de sua autoria e faz uma análise sobre ele, revelando uma crítica às pílulas da felicidade (as quais já cheguei a virar prisioneira por um tempo).

Bem, deixei minha resposta lá e, ao invés de apenas reverberar o texto, postando-o nas redes sociais, resolvi publicar minhas observações aqui. Como forma de contrariar esse fast-blogging que acontece agora. Ninguém mais comenta em nada. Nós mal pensamos sobre o que lemos! Passamos os olhos, vemos que se encaixa com nossos pensamentos e indicamos em nossos twitters e facebooks da vida. Aí o que acontece? A maioria dos usuários nem clica nos links pois logo percebe que se trata de um texto sério e não de uma piada, uma imagem, uma fofoca ou o meme da vez! Estamos divulgando o que gostamos para o nada! Claro que há exceções e é uma grande vantagem poder divulgar ideias e textos interessantes. Mas acaba virando a repostagem da repostagem da repostagem e ninguém lê direito, ninguém aprende nada, as ideias não se espalham e o autor fica sem feedback.

Então fica o ‘desafio’: minha resposta ao post de Camila está logo abaixo. E nela eu faço algumas perguntas. Quem desejar responder, aqui ou em seu blog ou em ambos, pode não perceber, mas está se dando a possibilidade de pensar e avaliar suas convicções a respeito. Que tal?

As pessoas que fazem tudo o tempo todo para manter um sorriso no rosto, para serem simpáticas com todos, negando seus sentimentos ruins e por consequência sua tristeza… essas pessoas me incomodam. Num primeiro momento me atraem, me fascinam, me fazem pensar que a vida pode ser uma mar de sorrisos. Até deixo de ser tão impaciente, tão ensimesmada… Mas num certo ponto percebo que começo a repudiar meu próprio lado obscuro e isso não é bom, pois nele também está muito da minha força criativa. Pessoas alegres demais e que nunca se deixam sucumbir pela tristeza, pelo desânimo podem até ser necessárias para a ordem das coisas, para um equilíbrio talvez. Mas é fato que o pavor que a maioria sente diante de sua dualidade torna tudo mais difícil. Como seria um mundo em que sentir-se triste não fosse um pecado, algo abominável? Como seria um mundo em que a felicidade não fosse obrigatória? Paradoxalmente, acho que seria um mundo mais feliz. 

E você, o que acha?

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6 Comentários on “Felicidade obrigatória, propagação de ideias e desafio”

  1. #1 Ana Cláudia Santos
    on Jun 26th, 2012 at 16:20

    Não sei se é porque estou deixando de ser criança pra ser adulta, pois tenho apenas 21 anos, mas de uns tempos pra cá tenho me encontrado com sentimentos que antes eram desconhecidos pra mim, como a tristeza, ansiedade extrema, frustração, aflição, estress.
    É claro, sempre tinha aquele momento em que um desses sentimentos vinham, mas logo após iam embora. Agora elas permanecem, vão embora e voltam. E eu também me incomodo muito, muito mesmo pra ser sincera , com essa obrigatoriedade da alegria e da felicidade. É claro, estar alegre é uma sensação muito boa, principalmente quando vem da alma, mas quando ficamos tristes um motivo a gente tem, ela não está lá em vão, e quanto mais se força para fazê-la ir embora mais empregnada ela fica.
    A tristeza incomoda , mas é inspiradora.

  2. #2 Camila Satine
    on Jun 26th, 2012 at 17:47

    Estou na mesma dessa Ana Claudia aí de cima. Cada vez mais ansiosa, o que me fez feliz já não me faz mais. Bom mesmo era quando a gente era criança, mas me parece que sempre queremos o que não temos, pois naquela época tudo o que queríamos era crescer :(

  3. #3 Bruno Seixas
    on Jun 27th, 2012 at 03:38

    Não existem pessoas felizes o tempo inteiro. Existem pessoas bem medicadas. Ou pessoas ignorantes. Deixo aqui uma citação de Hemingway que ilustra o que acho: “A felicidade, em pessoas inteligentes, é das coisas mais raras que conheço.”

  4. #4 Adams
    on Jul 1st, 2012 at 18:53

    Como você já citou, tudo é uma questão de equilibrio. Não se pode ser triste o tempo todo e nem feliz o tempo todo e saber aproveitar isso nos momentos certos é essencial para uma, digamos, vida saudável. Há pessoas que moram em favelas e são felizes, há pessoas que moram em mansões e são tristes, é também muito particular de cada um, do estado de espírito de cada um.

  5. #5 Paulo Cesar
    on Jul 23rd, 2012 at 11:54

    Concordo apenas em parte com o que você disse; de fato, até existe, na América, a tentativa de um grupo de calcular a Felicidade Nacional Bruta. Estive com algumas pessoas e , como minha praia são os números, quis saber como formatar um índice de felicidade, já que, no campo numérico tudo o que você pode calcular, também comporta uma antítese de si mesmo. Fui tratado como um astronauta maluco , mas não liguei. Não existe nenhuma coisa da mente capaz de ser quantificada, na minha opinião. Por isso, as pessoaqs do mercado, os professores, os matemáticos, adoram a média. A média é o grande talismã da sociedade moderna . Então, penso, sua colocação é apenas uma parte do total do seu pensamento. Ou seja, em outra situação , com novos dados, você teria ou poderia ter uma nova posição, tão válida como quaisquer outras. Assim, se você puder aceritar uma sugestão, pode talvez aceitar que muita gente diz o que pensa, muita gente diz o que não pensa, muita gente não sabe o que pensa, muita gente não situa o pensamento dentro de qualquer l´logica, simplesmente porque avida apenas é um produto do que vimos , ouvimos e sdentimos desde que nascemos, e uja origem nem nos lembramos , mas que dão um formato às nossas personalidades. Acho que é isso. Perdoe por me estender.

  6. #6
    on Sep 12th, 2012 at 20:37

    Hum…Concordo. Também não gosto de pessoas “felizes” e “sorridentes”. Ou “equilibradas”, “simpáticas”. Sempre sonhei em ser assim e invejava estas pessoas especiais, bonitas, queridas, amadas, idolatradas. Nunca consegui ser assim. Depois descobri que todo mundo de perto fede. Todo mundo tem seus podres, tristezas e sofrimentos. E que essa aparência é só uma fachada às vezes difícil de manter. Tentei “ser” assim e não consegui, então me contentei em ser eu mesma, com meus medos, defeitos, problemas, angústias e complexos. Sou feliz assim. Pelo menos não finjo que está tudo bem. Não julgo quem age diferente, cada um sabe de si. E quem sabe eles são mais felizes assim, sorrindo? Ou quem sabe foram ensinados, desde cedo, a dar uma satisfação à sociedade? Seja como for, é um peso tão grande agradar aos outros que eu não quero nem pensar em fazer isso. Cada vez tento agradar menos e sou mais eu. Assim, me sinto mais leve e preciso tomar menos “rivotris” da vida. Bj, paz.

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