Seria muito difícil imaginar ‘estou lá’ e ‘posso ir me encontrar?’…
E ‘será que aquele eu é melhor que este eu?’
‘Posso aprender com o outro eu?’
‘O outro eu cometeu os mesmos erros que eu?’
Ou ‘posso me sentar e conversar comigo?’
Não seria algo interessante?
A verdade é que fazemos isso o dia todo, todos os dias. As pessoas não admitem e não pensam muito sobre isso, mas conversam diariamente dentro de suas cabeças. ‘O que ele está fazendo?’ ‘Por que ele fez isso?’ ‘O que ela pensou?’ ‘Eu disse a coisa certa?’
Neste caso, há outro de você por aí.
(trecho do roteiro de A Outra Terra)






on Oct 30th, 2012 at 16:43
O INFERNO SÃO OS OUTROS (RSRSRSRSRS)
O homem é livre e responsável por tudo que está à sua volta. Somos inteiramente responsáveis por nosso passado, nosso presente e nosso futuro. Temos a ideia de liberdade como uma pena, por assim dizer. “O homem está condenado a ser livre”. A ideia de destino, passava a ser inconcebível, sendo então o homem o único responsável por seus atos e escolhas. Nossas escolhas são direcionadas por aquilo que nos aparenta ser o bem, mais especificamente por um engajamento naquilo que aparenta ser o bem e assim tendo consciência de si mesmo. Em outras palavras, o homem é um ser que “projeta tornar-se Deus”.
Se a vida não tem, à partida, um sentido determinado, não podemos evitar criar o sentido de nossa própria vida”. Assim, “a vida nos obriga a escolher entre vários caminhos possíveis mas nada nos obriga a escolher uma coisa ou outra.
As outras pessoas são fontes permanentes de contingências. Todas as escolhas de uma pessoa levam à transformação do mundo para que ele se adapte ao seu projeto. Mas cada pessoa tem um projeto diferente, e isso faz com que as pessoas entrem em conflito sempre que os projetos se sobrepõem.
O homem por si só não pode conhecer-se em sua totalidade. Só através dos olhos de outras pessoas é que alguém consegue se ver como parte do mundo. Sem a convivência, uma pessoa não pode perceber-se por inteiro.
Cada pessoa, embora não tenha acesso às consciências das outras pessoas, pode reconhecer neles o que têm de igual. E cada um precisa desse reconhecimento. Por mim mesmo, não tenho acesso à minha essência, sou um eterno “tornar-me”, um “vir-a-ser” que nunca se completa. Só através dos olhos dos outros posso ter acesso à minha própria essência, ainda que temporária. Só a convivência é capaz de me dar a certeza de que estou fazendo as escolhas que desejo.