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Juliana Dacoregio
Submarino.com.br
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Naturaleza Sangre

Compreendo os cortes. Mas não compreendia – e condenava – o fato de muitas pessoas exporem fotos de seus cortes auto-infligidos. Achava um mal exemplo, podendo levar outras pessoas a fazerem o mesmo apenas por imitação. Isso pode acontecer, em parte. Porque se já não havia esse desejo anterior, ninguém vai machucar-se somente por ver imagens de sangue e auto-mutilação. É como culpar filmes e video-games por assassinato.

Hoje entendo que a dor é tão grande, que não só existem pessoas que sentem alívio na dor, como também NECESSITAM compartilhá-lha. Hoje sei que ela é prazer, vício, mania, fuga, costume e, não raro, o momento tristemente especial da vida de uma pessoa. E como tantos outros que querem dividir seus momentos banais, suas manias ou o ponto alto do dia, os “self-harmers” também desejam compartilhar esse pedaço de suas vidas. Talvez para eles o mais significante pedaço. E, mesmo que  neguem, estão sim pedindo socorro, pedindo um abraço, carinho, compreensão. Alguns já vivem num nível tão profundo da falta de tudo isso que negariam veementemente se esses gestos lhes fossem oferecidos. Mas eles querem mostrar que existem. Mostrar o sangue é expôr a própria existência sempre tão calada pelo caos da vida.

Por tudo isso já não condeno mais quem fotografa suas feridas e as publica em redes sociais. Fazemos isso com nossas festas, nossas férias, nossas alegrias – muitas vezes mentirosas – porque eles não podem mostrar o seu quinhão de vivência ao mundo? Mesmo que essa vivência os aproxime mais e mais da morte. Mas, afinal, não estamos todos nos aproximando da morte?

Disfarces e Recomeços

 

Sei muito bem que você não acredita no amor, nem na possibilidade de ser feliz. Sei também que você disfarça, imita cada diva hollywoodiana do momento, empina o nariz, engole suas pílulas e brinca de felicidade. Mas assim como quando éramos pequenas e preparávamos as brincadeiras de Barbie, montando tudo (a casinha, a sala, a piscina, a banheira, o quarto, a cozinha, todos os nossos apetrechos em miniatura),  quando todo o cenário estava pronto não queríamos mais brincar. Vejo que hoje você prepara o que for necessário, detalhe por detalhe, e não desiste de brincar quando o esquema está armado. Vai até o fim. Mesmo que ao final você termine entediada sem sabe por quê. Mas eu percebo amiga, que suas brincadeiras, nossos disfarces, meu “jeito rock’n roll” e sua pose de diva vão nos cansar e vamos nos tornar (tenho até medo de dizer) amargas!

Nesse dia não encontraremos mais o que é autêntico. E sem autenticidade tudo se perde. Se um dia isso acontecer, prometa para mim que vai procurar a felicidade.  Que pedido mais bobo e simplório, você deve estar pensando, mas, cá entre nós amiga, nessa vida há poesia e banalidade em todas as coisas, o que pode ser simplório num dia, pode revelar-se mágico no outro. Portanto, procure. Procure, procure essa tal felicidade. E aproveite para começar fazendo desse pedido uma valsa-pastelão. Coloque aquele vestido longo e rodopie ao som de Danúbio Azul em 2001, Uma Odisséia no Espaço. Mas, calma! No dia seguinte, se ainda estiver de posse de suas faculdades mentais (bom, não precisa ter cursado todas as disciplinas), comece devagar, sentindo e prestando atenção em coisas pequeninas, porque nelas talvez você encontre la felicitá: sinta a brisa gelada que entra por debaixo da porta, descubra um detalhe dentro de sua casa no qual você nunca tinha reparado antes, coma uma maça (COM CASCA) só pelo prazer e beleza da primeira mordida, deixe o sol esquentar seus ombros e seu colo, sorria para a lua e mande um beijo a ela, faça de conta que você está voando junto com os passarinhos, chute pedrinhas ao caminhar, sorria para o espelho… Eu poderia fazer uma lista infinita, mas sei que você encontrará seus caminhos em busca da felicidade e autenticidade perdidas. Devagarinho e intensamente. Sei muito bem que você não é vazia e que se um dia sentir-se letárgica, desacreditada de tudo, a vida vai acender em você uma chama jamais vista.   

Nada a perder

Já que o amor tem que começar em algum lugar, ou melhor, direcionado a alguém, ela decidiu: iria amar a si mesma.

Vejam bem, não foi uma conclusão fácil, apesar de óbvia. Nem tudo que é óbvio é fácil. Também não foi uma resolução poética, nem o tal do “ligar o foda-se”. Ela não via nada mais patético do que essa expressão. Não conseguia acreditar quando visitava os perfis de seus colegas em redes sociais e lia “Não gosta de mim? Liga para a minha preocupação e veja se ela atende”, “Sua inveja faz a minha fama”, “100% autêntico”! Urgh! Dava vontade de vomitar! Aquele bando de jovens capitalistas (não que ela fosse socialista, gostava muito de sua propriedade privada), escravos do consumo, dominados pela mídia, hipnotizados pela TV (ou, os mais cultos, pelo cinema), produtos feitos em série, ensinados a agradar desde que nasceram, os filhos do Admirável Mundo Novo: esses, ESSES MESMOS, declarando sua superioridade sobre seus pares, afirmando uma autenticidade inexistente, acreditando-se invejados, acreditando-se especiais, enchendo a boca para dizer que “ligaram o foda-se”. Não há “foda-se” para ligar. Não existe esse botão. Existem os botões “o que preciso para”, “o que querem que eu”, “como posso ajudar”, “quero fazer parte”, “não quero ser o diferente”, “como faço para chegar lá”, “quanto? quanto? quanto?”, “quero, quero, quero”. Ela ao menos fazia parte dos poucos que sabiam disso. Ela ao menos era uma escrava consciente, o lhe permitia cometer um delito aqui, outro ali e dar umas escapadas de vez em quando.

Mas escapadelas já não supriam e, às vezes, ela chegava a invejar seus amigos de frases bobas. A fé que eles tinham em si mesmos, não importando que fosse um pouco falsa de vez em quando, lhes fazia seguir em frente com um sorriso no rosto, sem pensar muito e esperando sempre o melhor. Porque olhavam no espelho e viam pessoas dignas de serem amadas. Claro, eles também se odiavam vez ou outra. Mas ela? Ela vivia nesse estado permanente. Então num dia de descaso misturado ao enfado causado pela raiva, ela entrou sem querer naquela sala. Não era ali que deveria estar. Mas como estava atrasada (um pouco de propósito) e não se importava em cumprir nenhum compromisso mesmo, ficou ali na sala errada. Falavam sobre auto-estima, “tomar as rédeas da própria vida”, não desperdiçar o tempo, encontrar algum significado pelo qual viver – alguma meta, mesmo que pequena e… É, só podia ser, ela pensou, – Amar. As pessoas lá reunidas não falavam de amor como algo romântico apenas, ou como algo grandioso, ou divino, em que é preciso doação 24 horas por dia por uma causa nobre… Não! Apenas amor, puro e simples amor: cuidado, carinho, proteção, incentivo, troca, verdade… E em alguns casos seria uma via de mão única. Alguns se comprometeram a amar mais o cachorro do vizinho que late nas piores horas, outros escolheram amar aos outros motoristas no trânsito (até mesmo os que fecham e não dão seta). Ela… Ela logo soube quem seria o alvo do seu amor. Aquela que ela vivia destruindo de variadas formas, cometendo assassinato pouco a pouco com doses de venenos, aumentando gradativamente o poder letal e a quantidade, aquela a quem ela tratava com desleixo.

Então, bem, o que mais posso dizer? Como alguém que fica de saco cheio da vida e decide trocar o suco de laranja por vodka no café da manhã, nossa amiga jogou tudo pro alto e resolveu se amar! Ora, nada mais tinha sentido mesmo, o que ela tinha a perder? Partiu para o ato final. Puxou o gatilho do amor.  

PS.: Tentei de todo jeito arrumar esse espação em branco que ficou aí embaixo. Não sei o que houve. Considere que é pra você ter um tempo de refletir sobre o texto antes de chegar ao próximo post. Belê? Jóinha!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eles não existem

“Há coisas que EXISTEM. Outras que apenas ESTÃO.”

(Clarice Lispector – Perto do Coração Selvagem)

Desculpe tantas maiúsculas, tantos destaques nas palavras como se você fosse cega. Bem… Enxergar claramente não é uma de suas mais notáveis qualidades. Você sabe, eu sei. Duas ou três doses de rejeição e lá está você: visão turva, cambaleando rumo à primeira vala que aparecer ou subindo em todas as mesas e cadeiras, vociferando, entretendo à platéia com seus números hilariantemente tristes. Não sei você, mas eu acabei de perceber um paradoxo que viaja do céu ao inferno: ou a vala, o esgoto, o poço, a sujeira, fundo, fundo, fundo, seu esconderijo submundo. Por outra parte, ahh… O CIRCO, o cabaret, o cancan, o palco, qualquer boate suja se transforma em seu Moulin, e de rouge há apenas seu batom, borrado de tanto distribuir beijos indistintos. Ali você é atração, meio da roda, dona do grupo! Dá, manda, presenteia e, bem, é “presenteada” (com companhias sangue-sugas, plânctons que se alimentam das migalhas de fichas para comprar mais tequila que caem do seu bolso. Porém, cambaleando você começou, cambaleando terminará. Não importa o quanto se esconda, não importa o quanto se exponha, a dor doerá. Porque é isso que dores fazem. Dores doem.

Mas já está na hora de parar com essa vida de fugas; se a dor vai parar eu não sei. Ou melhor, posso afirmar saber um pouco: diminuirá. A dor da rejeição, essa maldita dor que nos pega de surpresa e age além do que podemos suportar.

Por isso, preciso repetir: HÁ COISAS QUE EXISTEM. OUTRAS QUE APENAS ESTÃO.

Quem não te ama, quem não te quer perto, tampouco te deseja, nem te procura: APENAS ESTÁ. É passageiro, vagando por sua vida. Não tens obrigação de tratá-lo como nada além de um caixeiro viajante. Ele NÃO EXISTE de modo concreto e real. Não existe para você. Guarde isso dentro da sua mente desejosa de aceitação. Quem quer aceitação de um ser inexistente?

Quem não te cuida, quem não te enxerga, é apenas mancha nebulosa, nuvem de chuva de verão. Deixe que a chuva desmanche-se sem plateia. Abra seu guarda-chuva. Ignore-a.

Assim é se lhe parece

Não, não há nada para ler. Só há figuras para ver.

ou

Há muito dito, só não está escrito.

Quem quer decifrar? Quem quer conhecer? Como podem, se nem sabem que é permitido apenas dizer o que sentem? Como podem, se não sabem que lhes é permitido sentir?  - Ensinem-nos a sentir, ensinem-nos a decifrar, ensinem-nos a enxergar e de que forma enxergar. – Não, não, não. Vocês têm uma alma. Usem-na, disse o professor aos alunos; (se nessa história houvesse professor, se nessa história os alunos reconhecessem-se como tais).

Termina assim mesmo. Decifra-te ou devora-te a ti mesmo.

castelo de areia

Eu: princesa. Reconhecida apenas pela rainha boa. Os outros habitantes não reconhecem minha nobreza. Nem tentam tirar-me o trono, pois sou mais inútil e inofensiva para seu mando do reino do que Maria, a Louca. Acontece que meu castelo é de cartas, montado sobre a areia da praia. A fina areia de uma praia com vento sudeste. Os outros habitantes já tinham deixado o castelo. Nem fizeram questão de me avisar. Desde quando eles fariam questão de me alertar para qualquer perigo vindouro? Só eu não via. Só eu tentava viver ali dentro. Mas eu confiava tanto nos habitantes daquele castelo sabe? Eu os amava tanto… Mas eles nunca corresponderam aos meus sentimentos da mesma forma.

Tenho palavras amargas para lançar a algumas pessoas, mas essas palavras são apenas fruto de dor. Meus insultos poderiam ser traduzidos como: por que você não me amou? Por que você me rejeitou? Por que me traiu?

Ter ficado pra ver o castelo desmoronar foi o grande erro. Como eu iria adivinhar?

os belos são encontrados à margem dum quarto
picados por aranhas, por agulhas e pelo silêncio
nunca entenderemos por que eles
partiram, eram tão
belos.
eles não fazem isso,
os belos morrem jovens
e deixam os feios com suas vidas feias.
brilhante e amável: a vida, a morte e o suicídio
enquanto o homem, num parque ensolarado, joga
damas.
(Charles Bukowski)

 

Frases da Libélula

“Há pessoas que são assassinadas quando forçadas a existir.”

“Aproximaram-se cada vez mais. Suas personalidades combinavam. Até que um dia ambas assumiram a responsabilidade de ser uma a melhor amiga da outra. Fio tivera outros amigos antes de Zora, pois todo mundo tem amigos. Tinha também uma torradeira; nem todo mundo tem uma torradeira.”

“Não podemos nos defender da admiração, não podemos desconfiar de quem gosta de nós, é uma guerra da qual sairemos sempre perdedores.”

“A admiração embute um canibalismo sublimado.”

“Ser chamado pelo nome por um estranho transmite sempre a sensação de não se pertencer mais a si mesmo.”

“Somente aqueles que sempre dispuseram de tudo é que sonham com uma vida aventureira e excepcional em que tudo se escreve com maiúsculas.”

“Ela carregava a energia de todos os relâmpagos que ela sabia possuir dentro de si, e, sem nenhuma dúvida, estava convencida de que participava da tempestade, em pé de igualdade com as grandes nuvens escuras.”

Estas são algumas das muitas frases marcantes do romance A Libélula de seus Oito Anos, de autoria do francês, Martin Page. Minha opinião e minhas costumeiras epifanias (viagens) sobre o livro estão lá no Amálgama, portanto acessem, não fiquem só aqui dando Ctrl + C nas frases legais.

Vai lá => Atraída pela capa, fisgada pela história

 

 


Revelando e sendo revelada

Fotografar e posar é como o sexo: quanto mais intimidade, mais entrosamento, quanto mais ambos confiam um no outro, mais prazeroso e divertido é o processo (ninguém fica com medo de propor algo diferente); e, muito importante, quão maior for a admiração recíproca mais ambos se doarão para que tudo seja maravilhoso e farão isso naturalmente. E, no final, os dois estão suados, cansados, doloridos e quem sabe até sujos.

Amalgamados 

O fotógrafo usa seus modelos e ora é usado por eles. É um jogo de dominação, voyeurismo e exibição em que o fotografado pode mostrar muito mais do que expressões, mais do que o corpo, mas sim seus desejos, seu medo, até seu horror. Por outro lado, ingênuo o fotógrafo que pensa que está apenas dirigindo poses e dando orientações. Ele está cochichando seus segredos para a câmera e para o ser fotografado. A objetiva captando todo o subjetivo de duas almas expostas.  
E num recente choque de almas, com minha amiga e fotógrafa Marina, nasceram vários registros. Um deles em especial causou epifanias, debates sérios e depois interpretações cômicas (porém não pouco verdadeiras). O que me fez acabar “cometendo” um poema. Quem fotografou, quem posou e quem escreveu é fácil de dizer. Mas quem está de fato no poema e quem se revela na foto, é outra história.
foto: Marina Bitten

Protege o corpo – tão SEU
Com teorias variadas – inteligentes – porém compradas
Cerca-se de arte para aplacar a solidão
Notas para o silêncio
Letras para a inquietação
Acha que pode cancelar os desejos
E forçar-se à exaustão
Mas o olhar já não se sustenta ali – vaga em pontos de luz
Então… Oh! 
Esconde seus dogmas sem perceber
Chega de ideias! 
Seu corpo é enciclopédia; tratado; arquivo vivo, mutante, pulsante;
Tese de Mestrado.

(Juliana Dacoregio)

Adeus tristeza

Imagem: Malvados

Texto ao acaso

Todos os dias entramos em contato com pessoas que nos dizem que tudo é uma questão de escolha. “Está em suas mãos o poder de mudar a sua vida”, “Você é fruto de suas escolhas”, “A vida é o que você faz dela” e por aí segue. Nenhuma inverdade. Mas nenhuma verdade absoluta. Há tantos pormenores, detalhes, acasos, golpes de sorte, de azar, do destino ou daquilo que rege esse mundo vagabundo em que vivemos, que é uma ingenuidade pensar que detemos o poder sobre nosso rumo. Existem aqueles momentos em que quando você vê, já foi! E uma série de acontecimentos se desenrola fora de seu controle, para o bem ou para o mal. Às vezes o bolo desanda, mesmo com todos os ingredientes corretos e modo de preparo seguido à risca. Às vezes você pode se irritar de nunca acertar o ponto da massa, resolver comê-la crua e criar uma nova e deliciosa sobremesa. Ou ter uma intoxicação alimentar, ir parar no hospital, receber uma injeção de Plasil (sem ter tempo para dizer que você é alérgico, afinal não está pensando nisso enquanto vomita as tripas) e morrer. O que quero dizer é que somos fruto de tantas coisas além de nossas escolhas… Esse texto, por exemplo. Esse texto desandou. E você o está comendo cru.